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segunda-feira, 18 de junho de 2012

Minha mãe


Minha mãe.


Foi pouco o tempo que tive com ela.

Minha mãe foi uma mulher diferente, especial.

Quando jovem, sonhava ser atriz. Colecionava fotos e revistas dos seus artistas de Hollywood preferidos.

Casou-se com um artista. Meu pai. 
Mas seu casamento, infelizmente, não foi nenhum conto de fadas. 
Não terminou como naquela frase “... e foram felizes para sempre”. 
Sua história de amor com o meu pai teve  fim quando eu tinha dois anos de idade. 
E, àquela altura, ela já havia recebido o mais duro golpe que e vida poderia ter lhe dado: dois de seus pequenos "anjos" tinham sido levados desse mundo, diretamente de seus braços. 
Foi por isso que minha mãe mudou. 
Endureceu.
Perdeu a sua graça.

Restaram apenas alguns sinais de vaidade. Como, por exemplo, não sair de casa sem maquiagem e com as unhas perfeitamente feitas.

Era raro, mas uma vez ou outra ela se mostrava uma mulher que ainda tentava ser feliz.

Hoje consigo ver o quanto fui carente do seu afeto.

Eu é que a abraçava, beijava, tirava-a para dançar no meio da sala... 
Era a oportunidade de receber um carinho.

Hoje entendo que, a uma certa altura, aconteceu a troca de papéis:  eu é que passei a cuidar dela.
E o fiz da melhor maneira que pude.

Eu queria muito ver minha mãe feliz.

Foi ela que, a sua maneira, ensinou-me os valores da vida.

Na sua profunda tristeza e solidão, fez do cigarro seu "bom companheiro". Por muitos e muitos anos. Até o momento ele se tornou seu "pior inimigo".

Quando eu resolvi seguir minha vida, batalhar e correr atrás dos meus sonhos, minha mãe adoeceu.

Foi tudo rápido demais.
Eu não sabia que "aquela doença" era tão devastadora, e que em pouco tempo levaria minha mãe embora.

Então, numa manhã de segunda-feira, quando estava saindo para mais uma semana longe dela, pois estava estudando fora, minha mãe me deu um forte abraço, uma caixa de bombons , desejou-me uma boa viagem e disse "Tchau, minha filha”.

Lembro que fui caminhando pela rua mas continuei olhando para trás, e vi minha mãe na sacada, acompanhando-me com seu olhar até eu desaparecer. 
Fui embora chorando...

Aquele foi o seu último carinho comigo.

Muitos anos depois de sua partida, "encontrei-me" com ela por meio de uma sensitiva. 
Então, nos perdoamos.
Ela me disse que estava feliz, e que tinha certeza de que eu seria muito feliz também.

Guardo comigo somente as boas lembranças da minha mãe.
Quero lembrar apenas dos momentos em rimos juntas, felizes. 
Os mesmos que agora me fazem chorar de saudades... sozinha.



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