Minha mãe.
Foi pouco o tempo que tive com ela.
Minha mãe foi uma mulher diferente,
especial.
Quando jovem, sonhava ser atriz.
Colecionava fotos e revistas dos seus artistas de Hollywood preferidos.
Casou-se com um artista. Meu
pai.
Mas seu casamento, infelizmente, não
foi nenhum conto de fadas.
Não terminou como naquela frase “...
e foram felizes para sempre”.
Sua
história de amor com o meu pai teve fim quando eu tinha dois anos de
idade.
E,
àquela altura, ela já havia recebido o mais duro golpe que e vida poderia ter
lhe dado: dois de seus
pequenos "anjos" tinham sido levados desse mundo, diretamente de seus
braços.
Foi
por isso que minha mãe mudou.
Endureceu.
Perdeu
a sua graça.
Restaram apenas alguns sinais de
vaidade. Como, por exemplo, não sair de casa sem maquiagem e com as unhas
perfeitamente feitas.
Era raro, mas uma vez ou outra ela
se mostrava uma mulher que ainda tentava ser feliz.
Hoje consigo ver o quanto fui
carente do seu afeto.
Eu é que a abraçava, beijava,
tirava-a para dançar no meio da sala...
Era
a oportunidade de receber um carinho.
Hoje entendo que, a uma certa
altura, aconteceu a troca de papéis: eu é que passei a cuidar dela.
E o fiz da melhor maneira que pude.
Eu queria muito ver minha mãe feliz.
Foi ela que, a sua maneira,
ensinou-me os valores da vida.
Na sua profunda tristeza e solidão,
fez do cigarro seu "bom companheiro". Por muitos e muitos anos. Até o
momento ele se tornou seu "pior inimigo".
Quando eu resolvi seguir minha vida,
batalhar e correr atrás dos meus sonhos, minha mãe adoeceu.
Foi tudo rápido demais.
Eu não sabia que "aquela
doença" era tão devastadora, e que em pouco tempo levaria minha mãe
embora.
Então, numa manhã de segunda-feira,
quando estava saindo para mais uma semana longe dela, pois estava estudando
fora, minha mãe me deu um forte abraço, uma caixa de bombons , desejou-me uma
boa viagem e disse "Tchau, minha filha”.
Lembro que fui caminhando pela rua
mas continuei olhando para trás, e vi minha mãe na sacada, acompanhando-me com
seu olhar até eu desaparecer.
Fui embora chorando...
Aquele foi o seu último carinho
comigo.
Muitos anos depois de sua partida,
"encontrei-me" com ela por meio de uma sensitiva.
Então, nos perdoamos.
Ela me disse que estava feliz, e que
tinha certeza de que eu seria muito feliz também.
Guardo comigo somente as boas
lembranças da minha mãe.
Quero lembrar apenas dos momentos em rimos
juntas, felizes.
Os
mesmos que agora me fazem chorar de saudades... sozinha.

Bonito e emocionante!
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