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quinta-feira, 5 de julho de 2012

A arte na pele





A arte na pele

Cores, formas, significados... e curiosidade.

A arte na pele, mais conhecida como "tatuagem", desperta - e muito - a minha curiosidade.

Fico fascinada ao ver um corpo coberto por desenhos e dizeres, sejam eles em tinta preta ou colorida.

Algumas vezes sou até indiscreta ao ficar observando os desenhos espalhados pelo corpo dos outros.
O que será que representam em suas vidas, porque optaram por determinado desenho, como aconteceu o processo de escolha, enfim...

Nunca tive coragem de perguntar.
Especialmente porque já ouvi de uma pessoa tatuada que a maioria delas não gosta de dar explicações sobre o significado dos desenhos.
Mas, puxa vida, como eu gostaria de saber!

Fernanda Young é uma pessoa que admiro muito. E as tatuagens que ela exibe no corpo são dessas que me provocam curiosidade.
Gostaria de lhe fazer tantas perguntas...

Existem várias pessoas interessantes com suas tatuagens mais interessantes ainda.

Uma vez fui parar no "plantão" de um Hospital. O médico que me atendeu exibia, por debaixo do jaleco, apenas a pontinha de uma tatuagem.

Enquanto ele me examinava, eu tentava desvendar o que seria aquele desenho. Minha sorte é que eu estava acompanhada, pois não prestei nenhuma atenção nas suas recomendações. Minha curiosidade não permitiu. Saí frustrada por não ter desvendado o mistério.

Arrependimento?
Nunca ouvi um tatuado dizer que se arrependeu.
Muito pelo contrário!
As pessoas com tatuagem estão sempre falando em fazer a próxima.

Quando eu era mais nova, não tive coragem suficiente para me tatuar.
Rolava um preconceito contra os tatuados.
Nunca sequer cogitei a possibilidade, embora sempre buscasse um visual diferente.

Até que entramos na “era” da tatuagem.
Hoje em dia, já são muitos os tatuados.

Claro que existem tatuagens lindas, mas também aquelas que são uns verdadeiros desastres!

E os modismos, então?
Eles também rolam em termos de tatuagem.
Às vezes, dá até pena...

Outro dia acompanhei uma briga em rede social onde um certo "fulano” ficou indignado porque uma de suas tatuagens foi copiada por um admirador.
Havia pessoas defendendo o criador, outros a criatura.

Minha opinião é de que uma tatuagem deve significar algo importante, deve ser uma marca própria ou, sei lá, qualquer coisa...mas que seja algo único.

Tatuagem é uma coisa muito pessoal...

Fico admirada com as pessoas que num dia decidem fazer uma tatuagem e no outro batem na porta do primeiro tatuador com horário disponível, folheiam um álbum com desenhos manjados, escolhem em 10 minutos uma figura  e “pimba”!
Tatuagem realizada com sucesso!
Será?

Estou em crise.
Quero e, ao mesmo tempo, não quero.

Como gosto de ser “diferente”,  será que NÃO ter uma tatuagem hoje em dia não é mais original  do que tê-la?

Se fosse pra fazer, até já tenho o lugar do corpo e o tema escolhidos,  mas ainda não tenho um desenho idealizado.

Desculpem o clichê mas ... "e quando eu for velhinha"?

Será que a tatuagem não se transformará num horroroso borrão na minha pele?
Será que não vou enjoar?

Será? Será? Será?

Se ainda tenho tantas dúvidas, na realidade eu tenho a minha resposta.

"Ainda não estou preparada".

Quem sabe um outro dia, um outro desenho, uma outra cor, um outro significado qualquer...

Mas que seja só meu!




Di(z)Conhecida

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Retorno





Retorno

Passados mais de 15 anos, voltei à cidade onde cresci para dar um passeio. Mais precisamente, fui rever a rua onde morei por 20 anos.

Fui sozinha. Estacionei o carro quase em frente a minha antiga casa e fiquei ali parada, observando.
Tanta coisa mudou...
Novos prédios, lojas novas, um fluxo de automóveis e pessoas muito mais intenso.

Quando eu era criança, a rua era de paralelepípedos, e muitas vezes esfolei os joelhos porque caí durante as brincadeiras de esconde-esconde.

As casas não eram cercadas, e exibiam lindas roseiras em seus pátios.  Portões só serviam para que os cachorros não fugissem!

Era a tranquilidade  de uma típica cidade do interior.

Hoje o que se vê é asfalto, muitos prédios, diversos estabelecimentos comerciais que tomaram o lugar das residências, sinaleiras, paradas de ônibus, e muito, muito mais movimento.

Mas nesse retorno ao passado eu buscava algo mais. Eu queria rever as "pessoas".

Desci do carro e comecei a andar pela rua.
Lá estava o pai da minha melhor amiga, mantendo sua loja funcionando, ainda que em precárias condições.
Tudo permanecia igual ao dia da inauguração.
A única alteração foi a passagem do tempo. Nada foi investido, sequer uma pintura na parede.
A filha mais nova atendia no balcão.
 Nossa, ela já é uma moça!

 Um pouco mais adiante, avistei os dois mecânicos que me viram crescer naquela rua.
Eles sabiam da vida de todos os vizinhos e, quem sabe, da cidade inteira.
Estavam lá, parados, visivelmente marcados pelo tempo, e um pouco perdidos no alvoroço que tomou conta da rua.
A oficina, pequena,  já não reúne as condições ideais para se fazer um bom trabalho. Provavelmente por isso estavam ambos escorados na porta, só observando o vai-vem das pessoas.

Fui caminhando pela calçada e me dei conta de como ela era estreita.
Era a mesma calçada que parecia tão larga quando eu pedalava minha bicicleta de uma esquina a outra.

Durante a caminhada, cruzei por diversas pessoas. Mantinha meu passo lento para lhes dar a oportunidade de um cumprimento.

Parecia a personagem de um filme dramático, em que a protagonista retorna à terra natal depois de muitos anos e fica chocada com a realidade que encontra.

Na verdade, nem sei se fiquei chocada.
Mas experimentei emoções que não esperava.

Reconheci todas as pessoas que passaram por mim. Todas elas fizeram parte da minha vida.
Mas nenhuma delas me reconheceu.
É que o tempo passou.
Elas envelheceram.
E eu também envelheci.

Quando me mudei de lá, estava com 20 anos, no auge da juventude.
Agora, estou chegando aos 40.
Tenho marcas de expressão, cabelos brancos, e alguns quilos a mais.

Provavelmente o mesmo impacto que eu tive ao ver as pessoas envelhecidas, elas também teriam se me reconhecessem.

Foi então que meu coração se atrapalhou.
Fiquei triste, nostálgica, mas, ao mesmo tempo,  feliz.
Foi uma mistura estranha de sentimentos.

Entrei no carro, coloquei uma das minhas músicas favoritas pra tocar, e parti.

Quem sabe se, numa próxima vez, eu encontre alguém que me reconheça.

Mas, se isso não acontecer, acho que estarei preparada para lhes dizer quem eu sou.


 Di(z)Conhecida

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Ceci.





"Ceci" era o seu nome.

Tenho saudades da minha magrelinha.

Para mim, ela era a mais linda, brilhava e ficava tão bem de azul...

Com ela eu ia para todo lugar. Ela nunca me deixou empenhada.

Mesmo faltando freios, eu sabia como segurá-la.

E nós duas, juntas, não tínhamos qualquer limite.Não havia tempo,distâncias nem perigos que pudéssemos superar.

Ela ia comigo a muitos lugares. Alguns eram lindos, e outros até perigosos.

Mas eu confiava nela. E com ela me sentia livre.

Nunca tínhamos um roteiro prévio. Nosso destino era sempre uma surpresa.

Algumas vezes íamos em ritmo leve, observando os detalhes do caminho, a rotina das pessoas, o movimentos dos carros e dos moradores da cidade.

Noutros dias, a velocidade era nosso objetivo.  Queríamos ter a sensação de vôo, o vento batendo no rosto e a bagunça que ele fazia nos cabelos.

Eu fui crescendo, e ela foi se cansando. Já necessitava de vários reparos. Tinha arranhões, esfolados e remendos. 
E não brilhava mais como antes.

Fomos nos afastando naturalmente... até o dia em que ela ficou  pequena para demais para mim.

Então,  muito triste, deixei-a de lado.

E num cantinho onde não incomodaria ninguém, ela foi fazer  companhia a outros abandonados e esquecidos.

De vez em quando eu a procurava, mas somente para relembrar nossas aventuras e descobertas.

Hoje, passados mais de 30 anos, senti muita saudade dela.

Não tenho nenhuma foto de nós duas juntas.
É uma pena!
Ela foi tão importante pra mim....

Estou pensando em ir à procura de outra que me faça tão feliz quanto ela me fez.
Que me leve por novos caminhos e novas descobertas.

Mas com certeza, "Ceci" sempre será especial, e a lembrança dela ficará eternamente viva na minha memória...
...a lembrança da minha “ Primeira Bicicleta”.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Minha mãe


Minha mãe.


Foi pouco o tempo que tive com ela.

Minha mãe foi uma mulher diferente, especial.

Quando jovem, sonhava ser atriz. Colecionava fotos e revistas dos seus artistas de Hollywood preferidos.

Casou-se com um artista. Meu pai. 
Mas seu casamento, infelizmente, não foi nenhum conto de fadas. 
Não terminou como naquela frase “... e foram felizes para sempre”. 
Sua história de amor com o meu pai teve  fim quando eu tinha dois anos de idade. 
E, àquela altura, ela já havia recebido o mais duro golpe que e vida poderia ter lhe dado: dois de seus pequenos "anjos" tinham sido levados desse mundo, diretamente de seus braços. 
Foi por isso que minha mãe mudou. 
Endureceu.
Perdeu a sua graça.

Restaram apenas alguns sinais de vaidade. Como, por exemplo, não sair de casa sem maquiagem e com as unhas perfeitamente feitas.

Era raro, mas uma vez ou outra ela se mostrava uma mulher que ainda tentava ser feliz.

Hoje consigo ver o quanto fui carente do seu afeto.

Eu é que a abraçava, beijava, tirava-a para dançar no meio da sala... 
Era a oportunidade de receber um carinho.

Hoje entendo que, a uma certa altura, aconteceu a troca de papéis:  eu é que passei a cuidar dela.
E o fiz da melhor maneira que pude.

Eu queria muito ver minha mãe feliz.

Foi ela que, a sua maneira, ensinou-me os valores da vida.

Na sua profunda tristeza e solidão, fez do cigarro seu "bom companheiro". Por muitos e muitos anos. Até o momento ele se tornou seu "pior inimigo".

Quando eu resolvi seguir minha vida, batalhar e correr atrás dos meus sonhos, minha mãe adoeceu.

Foi tudo rápido demais.
Eu não sabia que "aquela doença" era tão devastadora, e que em pouco tempo levaria minha mãe embora.

Então, numa manhã de segunda-feira, quando estava saindo para mais uma semana longe dela, pois estava estudando fora, minha mãe me deu um forte abraço, uma caixa de bombons , desejou-me uma boa viagem e disse "Tchau, minha filha”.

Lembro que fui caminhando pela rua mas continuei olhando para trás, e vi minha mãe na sacada, acompanhando-me com seu olhar até eu desaparecer. 
Fui embora chorando...

Aquele foi o seu último carinho comigo.

Muitos anos depois de sua partida, "encontrei-me" com ela por meio de uma sensitiva. 
Então, nos perdoamos.
Ela me disse que estava feliz, e que tinha certeza de que eu seria muito feliz também.

Guardo comigo somente as boas lembranças da minha mãe.
Quero lembrar apenas dos momentos em rimos juntas, felizes. 
Os mesmos que agora me fazem chorar de saudades... sozinha.



domingo, 17 de junho de 2012

Desaparecimento Anunciado


Desaparecimento anunciado


A minha Tesourinha estava ali. 
E ali ela estava já há algum tempo. 
Alguém a esqueceu. Provavelmente não lembrou mais qual o seu devido lugar. 
E ali ela ficou. Quietinha. 
Na verdade, ela não incomodava ninguém. Às vezes, emitia um brilho ofuscante, dependendo de como o sol refletisse em suas lâminas. 
Mas "eu" sabia que ela estava ali.

Daquele jogo de "pedra, papel e tesoura", ela só ouvia falar. 
Completamente sedentária. Fazia um bom tempo de que não cortava nada.
De uma semana para outra, só pequenas mudanças de lugar. Mínimas, na verdade. 
Era a moça da limpeza que tirava o pó que se acumulava sobre ela.

Acostumei-me com sua presença naquele lugar. Já fazia parte da “decoração".

Parecia tão frágil ... mas, na verdade, era forte como aço.

E então, naquela noite, eu queria estrear minha roupa nova. 
Havia nela tantas etiquetas que mais parecia um outdoor. Etiquetas da marca, da loja, das instruções de como lavá-la. 
Todas amarradas por um barbante. 
Um “senhor” barbante, na verdade. 
Praticamente uma "corda".

Ainda bem que eu sabia onde encontar o que precisava.
Naquela noite, minha Tesourinha finalmente iria entrar em ação.

Mas...não é sempre assim? 
Ei, cadê você, Tesourinha? 
Onde foi parar? 
Você estava ali, paradinha, durante todo esse tempo...porque se esconder logo hoje? 
Será que criou pernas? 
Tomou "chá de sumiço"?
E agora? 
Substituí-la por uma faca?

Não! 
Eu quero a minha Tesourinha!
Esse é o trabalho dela.

Todas as gavetas foram abertas, todas as caixas e armários revirados, mais de uma dúzia de pulinhos para São Longuinho e ... nada!

Mas para não perder a estréia da minha roupa nova, fui obrigada a ceder.
A Faca, toda orgulhosa, tomou o seu lugar.

E a Tesourinha?
Nunca mais apareceu.
Ninguém sabe, ninguém viu... resolveu se esconder.




Di(z)Conhecida

Recordações


Recordações


Quando eu era criança, não existia a Internet.

Tudo era compartilhado no papel.

Sorte a minha.

Tenho guardado, ainda, alguns “Cadernos de Recordações”.

Aqueles que você emprestava para seus amigos escreverem uma mensagem.

Claro que várias delas se repetiam inúmeras vezes pois eram poucos os que iam em busca de uma poesia nova para escrever. 
E onde iriam procurar? Tirar um tempo para ir até a biblioteca em busca de livros de poesia? Tudo era mais difícil. Muitos textos eram tirados daqueles almanaques anuais que distribuíam nas farmácias.

Como é bom abrir esses cadernos novamente!

Quanta saudade de amigos queridos que as circunstâncias da vida afastaram, pois cada um seguiu o seu caminho.

O interessante é observar o tempo que cada um dedicava a escrever sua mensagem.

Alguns apenas colavam uma figurinha, copiavam um versinho manjado, e pronto.

Outros, desenhavam um Arco Íris que atravessava toda a página. E além da poesia, declaravam seus sentimentos em relação à você. Esses eram aqueles amigos especiais.

Desconfio que  os jovens que nasceram depois dos anos 90 nem saibam do que eu estou falando.

Mas meu filho de 5 anos sabe.

Hoje mostrei a ele os meus cadernos, que guardo até agora com tanto carinho.

Depois de folheá-los com toda a atenção, ele olhou pra mim e perguntou:

-Mas para que servem, mãe?

- Para recordar, meu filho... são apenas recordações.



Dia de Baile


Dia de baile

Moro numa cidade do interior, e hoje é dia de baile. 
Quando eu era guria, os bailes eram mais frequentes, e embora eu não tenha ido a muitos, guardo boas lembranças dos famosos "Bailes de Debutantes".
O "Debut" era, sem dúvida, o acontecimento do ano. As meninas escolhiam, euforicamente, suas roupas.  Todas desejando a mesma coisa: exibir o vestido mais comentado da festa... por sua beleza, é claro.

E tinha a escolha dos pares.
Ah, essa escolha era tão difícil aos 15 anos...

Seria aquele menino que fazia seu coração disparar? 
Seria o irmão mais velho, muito legal, mas que infelizmente passava pela fase das inconvenientes espinhas? 
Ou seria aquele primo gato, por quem todas as amigas suspiravam, especialmente porque ele já ingressara na faculdade de Medicina?
Oh, que dúvida cruel! 

Feitas as escolhas do vestido mais lindo e do par ideal, era chegado o grande dia.

Via-se por toda a cidade senhoras frequentando o supermercado com rolos nos cabelos por debaixo de lenços estampados, homens correndo na última hora à procura de uma tinta preta para seus sapatos sociais, e garotos pedindo "calça e camisa" emprestadas porque descobriram que as peças usadas no baile do ano anterior já  não serviam mais.

Eu a-d-o-r-a-v-a aquele clima!
Mas confesso que na tarde que antecedia a grande noite ficava um pouco aborrecida.
É que eu literalmente "perdia" minhas amigas para o salão de beleza, e tinha que lidar com minha ansiedade sozinha. 
Para mim, que sempre usei cabelos curtos e não era adepta de muita maquiagem, alguns poucos minutos eram sufientes para dar um jeitinho no visual.
Mas é claro que eu, também com 15 anos, esperava ansiosa pela noite mágica.
E ela, finalmente, chegava.

Muito tímida que eu era, gostava de ficar observando a festa. Aliás, era o que eu mais fazia.

Ficava sentada, quietinha numa mesa, quase que "de lado”, prestando atenção nas histórias que corriam paralelas ao baile. E elas me fascinavam.

A menina de sobrenome tão conhecido na cidade ficara toda "emburrada" porque seu par não soube darçar a valsa direito.

Aquela outra, de origem mais humilde, tinha lágrimas nos olhos ao ver a emoção do pai, todo orgulhoso, realizar o sonho  de "apresentá-la à sociedade".

E havia a "descolada", que estava ali somente para satisfazer o desejo de sua mãe, pois, se pudesse, optaria por uma viagem para Amsterdã.

Ah, sem falar do meu encanto em ficar observando os casais dançando no meio do salão cuidadosamente decorado.  
Era quando minha imaginação voava para mais longe, ao ver aqueles rostos e corpos colados, cujos corações batiam em uníssono ao som de músicas românticas.

Casais tímidos, casais experientes em todos os ritmos, casais jovens e outros ultrapassados pelas "Bodas de Prata". 
Era muito lindo aquilo tudo. 
Testemunhei o amor verdadeiro entre um casal onde ele, de cabelos completamente platinados, fazia carinhos nos fios escovados de sua amada.

Também via alguns casais frios, distantes, e me perguntava porque estariam ali.  
Dançavam por todo o salão sem que seus olhos se cruzassem, seus rostos se tocassem, seus lábios se abrissem num sorriso sequer.
E pensava, "Que vida triste teriam eles..."

Mas havia, também, os casais "muito alegres". Os próprios "bobos", eu diria. 
Eram aqueles que faziam do copo sua companhia indispensável. 
Mas estavam ali felizes, em clima de festa, fazendo seus parceiros, filhos e amigos se divertirem a valer! 
Curtiam aquilo tudo exatamente como devia ser: dançando sem se preocupar com julgamentos, cantando desafinados para si mesmos, contagiando os demais com sua alegria.
Aqueles, sim, teriam boas histórias para contar.
Aqueles, sim, faziam com que os elevados gastos com a festa valessem a pena.

E as lembranças daqueles Bailes de Debutantes ficaram gravadas para sempre.
As músicas, as gargalhadas, os perfumes, as cores, os sabores, os casos contados, as lágrimas vertidas de emoção...
Tudo isso eternalizado no álbum de fotografias.
E, em cada foto, o registro de uma emoção especial.

Para mim o baile era isso. 
Ficar observando tudo, até que aparecesse alguém que me tirasse pra dançar...

   Di(z)Conhecida





sábado, 16 de junho de 2012

Um Sentir Apenas







"Quando eu precisar falar, escute.
Quando um abraço eu quiser te dar, aceite.
Quando meus olhos buscarem teu olhar, não fuja.
Quando um sorriso eu te der, retribua.
Quando eu cantar, dance comigo.
Quando uma oração eu fizer, apenas dê graças.
E quando eu te amar, sinta que somos um só."

Di(z)Conhecida

Gosto de Gostar


Gosto de Gostar

Do que as pessoas gostam?
Alguns gostam de muito.
Outros gostam de muito pouco.
E tem os que gostam muito de coisas de que nem deveriam gostar.
Eu mais "gosto" do que "não gosto".
É tão mais fácil gostar...
Acho que quanto mais a gente gosta, mais coisas boas surgem pra se gostar.
Aquilo que não é bom, nem penso se gosto ou se não gosto. Não faz parte do meu gosto.
E qual é o gosto do gostar?
É um gosto muito bom.
O mais puro bom gosto.

"Di(z)Conhecida

Muito prazer, Di(z)Conhecida

E então eu peguei uma caneta. Isso mesmo, uma "caneta". Confesso que foi difícil achá-la. Mas lá, no fundinho daquela gavetinha, estava ela. Quase seca, esquecida. Foi aquela que ganhei numa loja de material elétrico, brinde pela comemoração do seu 25° aniversário. A tal loja já não existe mais. Mas a caneta estava ali, esperando resignada por esse dia.
Sobre a mesa estava o "papel". Único, branco, imaculado... E a caneta foi indo, devagarinho, ao seu encontro. E do toque sutil desses dois elementos, letras começaram a surgir, e como numa dança, palavras foram se formando, ainda que tímidas... O que estarão a nos dizer? O que elas querem nos contar?
As palavras sabem muito, eu sei. Sei, também, que elas sabem de mim. E será a meu respeito que irão escrever, para quem quiser saber.
Nem eu sei se me conheço bem. Talvez possa agora me conhecer.
Olá! Muito prazer. Meu nome é "DIZCONHECIDA"
Talvez mais adiante você descubra que eu sou. Ou não...