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domingo, 17 de junho de 2012

Recordações


Recordações


Quando eu era criança, não existia a Internet.

Tudo era compartilhado no papel.

Sorte a minha.

Tenho guardado, ainda, alguns “Cadernos de Recordações”.

Aqueles que você emprestava para seus amigos escreverem uma mensagem.

Claro que várias delas se repetiam inúmeras vezes pois eram poucos os que iam em busca de uma poesia nova para escrever. 
E onde iriam procurar? Tirar um tempo para ir até a biblioteca em busca de livros de poesia? Tudo era mais difícil. Muitos textos eram tirados daqueles almanaques anuais que distribuíam nas farmácias.

Como é bom abrir esses cadernos novamente!

Quanta saudade de amigos queridos que as circunstâncias da vida afastaram, pois cada um seguiu o seu caminho.

O interessante é observar o tempo que cada um dedicava a escrever sua mensagem.

Alguns apenas colavam uma figurinha, copiavam um versinho manjado, e pronto.

Outros, desenhavam um Arco Íris que atravessava toda a página. E além da poesia, declaravam seus sentimentos em relação à você. Esses eram aqueles amigos especiais.

Desconfio que  os jovens que nasceram depois dos anos 90 nem saibam do que eu estou falando.

Mas meu filho de 5 anos sabe.

Hoje mostrei a ele os meus cadernos, que guardo até agora com tanto carinho.

Depois de folheá-los com toda a atenção, ele olhou pra mim e perguntou:

-Mas para que servem, mãe?

- Para recordar, meu filho... são apenas recordações.



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